Em se tratando de engenharia de materiais, o cimento Portland, com um “sobrenome” estranho, domina a indústria da construção civil.

À primeira vista, esse nome parece uma homenagem direta ao seu criador.

Aliás, o inglês Joseph Aspdin, por volta de 1824, inventou e patenteou um tipo de cimento ao qual acrescentou o codinome “Portland”.

A razão disso é que, depois de endurecido, o material apresentava grande semelhança com uma pedra muito utilizada na época, extraída da Ilha de Portland, na Inglaterra.

Aspdin batizou o produto de cimento Portland e, mais tarde, seu filho aprimorou o material. A partir daí, surgiu um dos materiais de construção mais usados no mundo até hoje.

Vendidos em sacos de 50 kg, 25 kg ou a granel, e usando uma expressão popular: são todos farinhas do mesmo saco?

Ao longo deste artigo, você entenderá, de forma clara, toda a verdade, pois existem diferentes tipos de cimento Portland.

Aliás, cada um tem características próprias e mais adequado para determinados usos. Prossiga na leitura.

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O que é o cimento Portland?

Para começar, a fabricação do cimento envolve várias etapas, e tudo começa com a extração da matéria-prima, como calcário, argila e outros minerais, passam por um processo de trituração.

De preferência, instalam-se as fábricas em locais com suprimento suficiente desses materiais e com sistema de transporte adequado, assim ajuda a reduzir custos.

Em seguida, misturam-se os materiais, em proporções específicas, depois moídos e aquecidos em fornos a altas temperaturas, até a obtenção do clínquer, o material base do cimento Portland.

Porém, se misturar o clínquer diretamente com água, o endurecimento acontecerá bem rápido.

Como correção, adiciona-se cerca de 5% de gesso e realiza-se uma nova moagem conjunta até que a mistura fique bem homogênea.

O gesso controla o tempo de pega e torna o uso do cimento viável na prática; assim, surge uma versão mais aprimorada: o cimento Portland tipo CP I.

Por que existem diferentes tipos de cimento Portland?

Não existe apenas um tipo de cimento capaz de servir a todas as construções, pois cada obra apresenta exigências diferentes, de acordo com as condições do ambiente.

Por exemplo, existem locais úmidos e outros expostos a ambientes agressivos, tais como:

  • Água do mar;
  • Esgotos;
  • Poluição do ar intensa;
  • Variações marcantes de temperatura altas e baixas;

Em certos casos, é importante que o cimento endureça mais rapidamente, caso contrário, é melhor uma secagem mais lenta, para reduzir o risco de fissuras.

Por isso, produz-se o cimento com composições variadas, combinando clínquer, gesso e outras adições minerais em diferentes proporções, tais como:

  • Escórias de Alto Forno: provenientes das “sobras” de materiais na fabricação do aço, em vez de serem descartadas, podem ser incorporadas ao cimento;
  • Pozolana: tem origem natural ou industrial, como as cinzas de regiões vulcânicas ou termelétricas;
  • Filler: pó muito fino de rocha calcária que preenche pequenos vazios na pasta de cimento, deixando a massa mais “cheia” e mais fácil de espalhar e aplicar;

No entanto, qualquer um deles só atingirá suas melhores características se for misturado com água nas proporções adequadas e se a cura for bem conduzida.

Portanto, a partir das combinações entre clínquer, gesso, escória, pozolana e filler, surgem os diferentes tipos de cimento Portland encontrados no mercado.

Nomenclatura do cimento Portland

Existe uma nomenclatura padrão com o uso de letras e números, ou seja, uma forma bem simples de entender essa lógica é pensar na seguinte “fórmula”: CP X Y Z.

A sigla “CP” significa cimento Portland, a letra “X”, representada por números romanos (I, II, III, IV, V), indica o tipo de cimento, se ele é simples ou se contém determinadas adições.

Além disso, a letra “Y” diz respeito ao material adicional principal, tais como:

  • E: Escória de alto-forno;
  • Z: Pozolana;
  • F: Filler (material carbonático);

Por outro lado, a letra “Z” representa a resistência característica à compressão, em MPa, aos 28 dias, com valores usuais de:

  • 25 MPa;
  • 32 MPa;
  • 40 MPa;

Por exemplo, um cimento CP II‑E 32 trata-se de um cimento Portland composto (CP II), com escória (E) e resistência característica de 32 MPa aos 28 dias.

Uma exceção a regra é o CP V ARI, onde a sigla ARI significa “Alta Resistência Inicial”, ou seja, um cimento com ganho de resistência já nos primeiros dias de idade.

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Principais tipos de cimento Portland

Neste cenário, o material evolui com as pesquisas científicas, pois surgem novas formulações. Aqui destacamos os cimentos mais tradicionais do mercado brasileiro:

  • CP I e CP I-S;
  • CP II (E, F, Z);
  • CP III e CP IV;
  • CP V ARI;

Primeiras versões: CP I e CP I S

O CP I é o cimento Portland mais “puro”, formado basicamente por clínquer e teor de gesso entre 1% e 5%, usado para controlar o tempo de pega.

O CP I‑S diferencia-se por apresentar uma pequena quantidade de material pozolânico, também na faixa de 1 a 5%.

Esses cimentos têm custo de produção mais alto e são usados principalmente como base para fabricar cimentos compostos e outros produtos industrializados.

Dito isso, tornam-se desfavoráveis para construção em termos de custo, desempenho também apresentam resistência à compressão mais baixa que as demais.

Cimento Portland da série CP II (E, F e Z)

Os cimentos da linha CP II são materiais compostos muito comuns nas lojas de material de construção, à base de clínquer e gesso, porém, a letra adicional presente na sigla os diferencia.

Por exemplo, o CP II‑E inclui escória de alto forno em sua composição, em proporções entre 6 e 34%, e conter até 10% de material carbonático.

A segunda opção é o CP II-Z combina clínquer, gesso e pozolana, normalmente na faixa de 6 a 14%, podendo também conter até 10% de material carbonático.

E mais outra versão, o CP II-F incorpora filler em proporções entre 6% e 10%, pois preenche os vazios da pasta de cimento, resultando em uma massa mais coesa e mais fácil de aplicar.

Cimento Portland CP III e CP IV

O CP III tem uma composição preponderante de escória em sua formulação, algo entre 35% e 70%, com ou sem 5% de filler. Tornou-se popularmente conhecido como cimento de alto forno.

O CP IV é o cimento Portland pozolânico, pois contém uma fração importante de pozolana em sua composição, na ordem de 15 a 50%, além de clínquer, gesso e até 5% de material carbonático.

Eles apresentam algumas características em comum, como uma baixa liberação de calor na hidratação do cimento, o que os torna menos propensos à ocorrência de fissuras.

Com o passar do tempo, o concreto se torna menos poroso, mais impermeável e mais resistente em ambientes sujeitos a agentes agressivos, tais como água doce, água do mar e esgotos.

A propósito, o cimento do tipo CP III torna-se uma versão melhorada do CP II E, assim como o CP IV em relação ao CP II Z.

CP V‑ARI

O CP V ARI atinge resistências elevadas em um intervalo muito curto de tempo e supera, em poucos dias, os valores de resistência de outros cimentos (tipos I, II, III, IV).

Ele contém de 0 a 5% de material carbonático, e somado ao alto teor de clínquer, proporciona uma retirada das formas do concreto muito mais rápida, tais como:

Sobretudo, as faixas percentuais devem seguir os limites definidos em normas técnicas, e cada fabricante estabelece suas próprias proporções.

Na dúvida sobre a escolha do cimento ideal para sua obra, consulte sempre um especialista em construção civil da sua região.

Considerações finais

Neste cenário de variações típicas do cimento na indústria da construção civil, evite escolhas aleatórias sem compreender a razão dos materiais inovadores presentes na composição do cimento.

A propósito, alguns cimentos são mais adequados para uso estrutural, outros para ambientes agressivos e outros ainda para a produção rápida de peças.

Portanto, conhecer essas diferenças permite planejar melhor qualquer obra, por menor que seja.

A propósito, esse aprendizado ajuda a diminuir problemas como fissuras, infiltrações e desgaste precoce, pois esses costumam ser muito mais caros do que uma boa escolha de cimento feita no início.

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